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sábado, 1 de junho de 2013

Interpretando a Bíblia

Interpretando a Bíblia
O que disse Pedro sobre a interpretação da Bíblia? 2 Pedro 1:20
A Bíblia não deve ser interpretada segundo nossas ideias particulares. Sua interpretação deve seguir as orientações que ela mesma
oferece. Ao conjunto de regras que se deve usar na interpretação da Bíblia, chamamos de Hermenêutica. Hermenêutica significa interpretação do sentido das palavras, e a arte e ciência de interpretar textos sagrados ou leis. Não é uma ciência limitada somente à área bíblica, pois é usada, por exemplo, na área de direito, a hermenêutica jurídica.

A palavra hermenêutica vem do grego – hermeneo – que significa explicar, interpretar, traduzir.

A imagem dessa palavra está ligada à mitologia grega, ao deus Hermes – o correio entre os deuses – que tinha pequenas asas em seus pés para torná-lo mais veloz em transmitir as mensagens entre deuses e deuses, deuses e homens, e as interpretava.
Logo, Hermenêutica é uma ciência e uma arte. Ciência, por envolver uma metodologia (métodos científicos de análise textual), e arte, por ser uma metodologia que não pode ser aplicada mecanicamente, envolvendo as habilidades humanas do gênio, da inteligência artística e da criatividade.


Necessidade da hermenêutica
Como interpretava Jesus as Escrituras? Lucas 24:27

Jesus, depois de três anos e meio de ministério, teve a necessidade de explicar as Escrituras aos discípulos. No texto acima, o verbo “expunha-lhes”, vem do grego hermenu,“fazer hermenêutica através”, ou seja, Jesus procurou interpretar as Escrituras, e fez isso percorrendo vários livros da Bíblia.
Assim, uma primeira regra de interpretação da Bíblia deveria ser buscar em vários livros o que é dito sobre um tema (Isaías 28:10). No caso de Jesus, ele buscava ensinar aos discípulos o que as Escrituras diziam sobre Ele mesmo. A necessidade de interpretar a Bíblia também é reforçada por outro interessante episódio relatado no livro de Atos.


3 Qual foi a conclusão a que chegou o eunuco em seu diálogo com Felipe? Atos 8:30, 31

O verbo “me explicar” é hodegeo – guiar, conduzir, instruir. Como alguém pode aprender das verdades bíblicas se alguém não ensinar? Para isso, aqueles que ensinam devem estar habilitados.
Paulo diz que aqueles que ensinam devem manejar bem a Palavra, ou seja, ter conhecimento das Escrituras (2 Timóteo 2:15).
Logo, deveríamos conhecer as regras básicas da interpretação bíblica para descobrir o sentido exato de cada texto.
Outro motivo que salienta a necessidade de saber interpretar a Bíblia é a existência de passagens difíceis que facilmente podem ser distorcidas. Até o apóstolo Pedro, com todos os seus predicados, teve dificuldade de hermenêutica em algum momento.


4 Que disse Pedro sobre os escritos de Paulo? 2 Pedro 3:15, 16

A necessidade da hermenêutica existe também devido aos fatores inerentes ao próprio texto bíblico. Vejamos alguns exemplos:
      
        1) Antiguidade do texto bíblico. Os 66 livros que compõem a Bíblia foram escritos entre 1.500 a.C. e 100 d.C. Esse período está muito longe da nossa realidade atual. Os costumes e práticas são muito diferentes das atuais. Exemplo: Mães de aluguel - Sara (Gênesis 16:12), Raquel (Gênesis 30:1-13). Há documentos que revelam que as leis da antiga Mesopotâmia permitiam isso, com suas restrições, claro. Essa é a expressão de um costume da época. Outro exemplo: Altos de sacrifício (Levítico 26:30, Números 22:41). Esses altos não estavam em cima de montanhas, mas uma plataforma mais alta que o terreno local, e poderia ser até mesmo num vale.
       2) Expressões da época: Chuva temporã e Serôdia (Deuteronômio 11:14). Eram chuvas que caíam para se lançar a semente e para amadurecer o grão já na época da colheita. Essas chuvas são usadas como simbolismos da obra do Espírito Santo no dia de Pentecostes e nos dias finais da história humana (Joel 2:28-30; Atos 2:16).
      3) Barreira da Língua: Nossa língua portuguesa está muito distante das línguas bíblicas. O Antigo Testamento foi escrito em hebraico e aramaico, e o Novo Testamento, escrito em grego. Essas são línguas bem diferentes e antigas, o que torna ainda mais desafiadora a tarefa de interpretação da Bíblia.

Princípios Fundamentais
O que pensamos sobre a Bíblia é determinante sobre como interpretaremos a mesma. Por isso, vejamos alguns princípios fundamentais de interpretação.


Origem divina das Escrituras
Como Pedro disse que a Bíblia foi produzida ? 2 Pedro 1:21

Pedro disse que homens santos (autores) falaram movidos pelo Espírito Santo. Ainda que a Bíblia possua cerca de 40 escritores, Deus é seu verdadeiro autor.


Totalidade das Escrituras
Que verdades Paulo revela sobre as Escrituras? 2 Timóteo 3:16

Um princípio de interpretação da Bíblia é crer na totalidade de sua inspiração. Não podemos dizer que este livro é inspirado por Deus e aquele não. Toda ela, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, é a revelação de Deus ao homem.


Autoridade da Bíblia
7 O que ensina Isaías sobre a autor idade das Escrituras? Isaías 8:20

Sendo a Palavra inspirada de Deus, a Bíblia possui autoridade nas áreas da fé e vida, que decorre da autoridade divina, de Deus como Criador e Senhor, e Autor das Escrituras.
A Bíblia como sua própria intérprete
Os reformadores protestantes, em sua interpretação da Bíblia, usavam a Analogia Fidei (Analogia da Fé), ou seja: a Bíblia como um todo deve ser tomada em consideração; todas as passagens que tratam do mesmo assunto devem ser consideradas; as passagens difíceis devem ser entendidas à luz das passagens claras.
Outro princípio defendido pela reforma foi o Sola Scriptura (Só a Escritura). Este princípio ensina que somente a Bíblia é a autoridade em termos de credo e doutrina. Não existe outra fonte superior de verdade.
O protestantismo, com o passar do tempo, adotou também o princípio Tota Scriptura (Toda a Escritura), ou seja, toda a Bíblia deve ser considerada como verdade. Jesus usava esse método em sua interpretação da Bíblia (Lucas 24:27, 44, 45).


Quem mais usava toda a Escritura em seus estudos? Atos 17:11

Devemos imitar os bereanos e buscar, em toda a Bíblia, a compreensão da vontade de Deus para nossa vida.

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